09/08/07

Ares da serra

Este fim-de-semana fui à Covilhã dar uma mirada no que espero ser a minha futura casa pelos próximos três anos, e escusado será dizer que as memórias que tinha daquela cidade não eram nenhum delírio de uma noite de copos. A covilhã continua linda. Gostava de poder dizer que descansei bastante, mas não o fiz. Vi imensos apartamentos e o pior é que as ruas/avenidas são quase todas de inclinação praticamente vertical, o que tornou os meus "giros" em autênticas escaladas sob um calor abrasador que rondava os 42º ao sol. Mas como quem corre por gosto não cansa e o orçamento era apertado, resolvi armar-me em turista e mandar o taxi passear (literalmente) e fiz tudinho a pé...O único hotel com vagas era um bocadinho longe da universidade mas ficava só a 10min a pé do centro, no topo de mais uma inclinadíssima colina, mas com uma vista espetacular. A vista da varanda do meu quarto era de tirar a respiração e o quarto era excelente...mas também paguei uma pipa...(já percebo porque só havia vagas nesse). Fez-me bem estar sozinha, ter o primeiro-fim-de semana livre em alguns anos e poder fazer o que queria ao meu próprio ritmo. Pronto quem me conhece já deve tar a imaginar que me perdi dezenas de vezes, e perdi-me!! Mas por falta de perguntar não foi, mas certas vezes mais parecia que estava naquele sketch do gato fedorento dos alentejanos a darem indicações, e em certa altura recordo-me de passar umas 3 horas à procura de uma rua do rodrigo e mais 1.30h à procura de um certo café denominado Marinel. Correcção! Mari-Nel...cuja empregada de balcão (brasileira claro) estava a ser claramente asseadiada por 5 tasqueiros e parecia estar a gostar. É bem. A viagem para cima foi uma merda e a viagem para baixo foi ainda pior, mas a estadia superou-se. Os apartamentos no geral eram velhos, correcção, rústicos (lol) mas eram baratíssimos, rondando os 100€ e os 125€. Após muito andar e subir escadas de inúmeros prédios de 5 andares SEM elevador, encontrei um que gostava razoavalmente. Gaz canalizado, dois elevadores, internet, tv cabo, quarto sem mobília centenária e não ficava no cú de judas nem no topo de uma avenida enorme a 80% de inclinação como a maioria dos que vi, mas sim por cima de um centro comercial no centro, a 5 min da universidade, jardim à porta e transportes!!
Vou morar (se tudo correr bem) com dois rapazes e mais uma rapariga na linda cidade de covilhã =)
Para quem está curioso para ver do que estou a falar, aqui vão algumas fotos...disfrutem, e vão-me visitar!
beijocas
pL.










03/08/07

Jukebox

"A música Indie, frequentemente abreviada como Indie de Independente, é um termo originalmente usado para descrever géneros, estilos e outros atributos culturais da música sendo caracterizada pela sua independência das companhias discográficas mais comerciais e pela sua abordagem autónoma ao modo como escolhem gravar, editar e apresentar a sua música ao público. Desde que surgiu, este termo tem ganho popularidade, e é actualmente utilizado para descrever aquelas bandas cuja música se distancia do considerado comercial/mainstream. Deste modo, não será menos correcto usar esta expressão como um sinónimo de música alternativa ou underground. Indie Rock e Indie Pop são talvez os géneros mais comuns que se inserem neste estilo de som. A diferença entre estes dois não é fácil de estabelecer, uma vez que ambos os géneros usam uma instrumentalidade semelhante, porém, as opiniões a respeito das suas diferenças tem dividido muitas opiniões e não só, existem também os que não concordam com a colocação de um autocolante na testa das bandas. Mesmo assim, existem bandas que claramente pesam mais para um lado, como é o exemplo dos belíssimos Smiths no indie pop".

A pedido de diversas pessoas, aqui estão as ligações para as músicas. Peço desculpa ainda não ter um leitorzinho, mas está a caminho, assim que aprender como se faz...lol...Se alguém eventualmente souber como, agradecia imenso que mo ensinassem =)

A - 1: Just Like Honey
B - 2: Teen Age Riot
C - 3: Wail
D - 4: Gigantic
E - 5: I am a Scientist
F - 6: Freak Scene
G - 7: Summer Babe
H - 8: Black History Month
J - 9: Bigmouth Strikes Again
K - 10: Have You Forgotten

Gostava de por muitas outras bandas, e mais músicas das bandas que aqui estão, mas as minhas mariquices estéticas não me deixaram trespassar os limites da minha Jukebox pequenina...lol Para os fãs incondicionais de certas bandas que aqui estão, peço desculpa não ter posto todas as músicas que sugeriram...fica para a próxima semana, Smells like indie: a sequela =)

Resta-me despedir-me, disfrutem!!

Abraços e beijinhos

pL.

27/07/07

Olá vida

Hoje chorei, mas de alegria. Lembro-me da última vez que chorei de emoção, foi no concerto de Arcade Fire no SBSR, e sinceramente não pensei que isso voltasse a acontecer. Aquelas lagrimas caíram-me juntamente com um sorriso enorme estampado no rosto e uma sensação de êxtase que nunca pensei sentir, foi incrível. Mas não tão incrível como hoje. O dia de hoje superou tudo, largamente!
Há 5 anos atrás entrei em Psicologia, sabia que não era aquilo que queria, sabia que para além de não o querer, que aquilo era algo que era completamente o oposto de mim...mas sinceramente, se não fosse isso era outra coisa qualquer, fosse Inglês, fosse Direito, sempre soube que só me encaixava num sítio, na arte. Estou a breves momentos de me licenciar, e sei que não vou exercer, ponho essa hipótese em último lugar (o lugar do desespero quando tudo o resto falhar, epá preciso de comer, certo?). E porque é que escolhi este caminho então? É certo que ninguém me obrigou, não posso afirmar isso, mas é certo também que não me deixaram fazer mais nada.

Quando me matriculei no 10º ano sabia que queria escolher artes, queria-o tanto tanto...Só de pensar que ia para a escola e não só podia desenhar nas aulas como também era avaliada por isso...até me arrepiei toda, então eu agora vou pra escola e posso fazer o que faço quando tenho um tempinho livre??Queres melhor negócio? Só na worten. Disse aos meus pais que queria inscrever-me no agrupamento de artes porque queria ser estilista, queria estudar design de moda, e aí é que a casa foi a baixo. Só não me chamaram de filha e deu para perceber onde tudo aquilo ia dar, pois foram muito directos, "se vais para artes porque estás com ideias de ir estudar moda, podes tirar o cavalinho da chuva. Sai de casa e sustenta-te sozinha, se quiseres direito ou medicina, conta connosco, mas artes, nem penses." Como diz a Dida: "é bem".

Não gostei do secundário, as disciplinas não me entusiasmaram por aí além apesar das minhas notas até poderem ser consideradas de boas, acho que o facto de não poder sair a lado nenhum ajudava razoavelmente, havia mais tempo para estudar. Consegui tolerar o secundário porque tivemos teatro, mais especificamente, Oficina de Expressão Dramática, e foi desse pequeno mundo e nas pessoas espectaculares que conheci e que ainda hoje adoro, que consegui sugar toda a minha força. Guardo memórias espetaculares desses tempos, que sao hoje tão vivas como foram reais naquelas horas, muito obrigado.

Cheguei ao 12º e durante os três anos passados, tentei não pensar muito no que ia fazer nessa hora quando ela chegasse, mas quando tive que escolher os cursos, foi provavelmente um dos momentos mais tristes da minha vida. Apercebi-me que tinha chegado a hora, tinha que fazer qualquer coisa, mas não queria fazer nada... só queria AQUILO. Imaginam a sensação de ter que pôr por ordem de preferência coisas que não gostam e ter k eleger uma como a favorita? Vejamos, rato morto com ketchup para o jantar -1º, a minha própria mão grelhada-2º...Lamber os pés malcheirosos do meu vizinho-3º. E ainda ter que ter boas notas? Enguli foi um grande sapo... Foi o apogeu! Mentira, o apogeu foi quando "me foi comunicado" que TINHA que ficar em faro, pois não existia uma dose suficiente de confiança na minha pessoa para que eu pudesse disfutar da oportunidade de ir estudar para fora, pois poderia meter-me na heroína ou na prostituição, enfim, essas coisas próprias da idade (lol). Andei aqui enfiada 5 anos da minha vida, estudei por uma vida e sinceramente tenho livros em casa que já nem me lembro de ter lido (dezenas e dezenas, que dinheiro mais mal gasto), mas que as sublinhações extensas, separadores, apontamentos, rascunhos, não me deixam cair em engano: LI-OS.

O que tirei disto tudo para além de saber todas as partes do cérebro humano em latim? Amigos excepcionais e muitas lições de vida, valiosas e indispensáveis, mas que sinceramente poderiam ter sido aprendidas de outra forma. Consegui superar esta bosta de curso graças a quatro pessoas muito especiais que nunca deixaram de puxar por mim, que me tiraram lá do fundo das várias vezes que bati nele, aturaram-me nos meus melhores e piores dias, sempre com muito carinho. Não precisa dizer, há coisas que se sentem à flor da pele, pelas acções...pelos sorrisos, pelas palavras, sei que gostam de mim, obrigada por isso! Obrigada Ruth, Raquel Ana e Cátia.

Deprimi muitas vezes, chorei muitas vezes, gritei demais, praguejei demais, fiz muita merda a mim mesma, tentei sair de casa algumas vezes, mas isso foram árvores que não deram fruto...Por vezes tratei os outros injustamente pela raiva que sentia de tudo isto, a essas pessoas, sabem elas quem são, peço desculpa pelas imensas preocupações que vos dei. Nunca fui uma pessoa forte e as coisas batem-me com facilidade, vou abaixo com facilidade, ou pelo menos ia. Mas gosto de quem sou hoje, e estes anos fizeram de mim quem sou hoje. Podia ter sido feito de outra maneira, mas foi assim, seja destino ou não, aceito o que sou agora, aceito o que me espera, de braços bem abertos. Não me importo que pensem que sou maluca, os malucos também são gente, e já lá vai o tempo em que me preocupava com o que achavam de mim, não gostam vão comprar a outro lado.

Sonhei com isto muitos anos. Pintei os meus sonhos dezenas de vezes, desenhei os meus sonhos dezenas de vezes, vendi sonhos, comprei sonhos e nunca os deixei esmorecer. Porra quero mesmo isto,com todas as minhas forças e com toda a paixão que isto merece! Esperei tantos anos e o que mais temia não aconteceu, não perdi a força, não perdi aquela vontade esmagadora de criar, tenho 23 anos e estou a começar de novo, a minha vida começa agora, e agora, quem manda nela sou eu.

Hoje fui ver a nota do exame de Desenho-A que fiz dia 16, desde dia 16 que não durmo decentemente, acordava a meio da noite, não conseguia adormecer, andava constantemente nervosa e sobressaltada o que é sempre positivo quando se começa um emprego novo, especialmente num café-bar (coisinha leve). Correu-me mal, muito mal. Fiz o exame como aluna externa e era a mais velha da turma, no meio daquela maré de putos, senti-me mais deslocada que nunca. Mesmo sob os olhares desconfiados daquelas pessoas, senti que não devia nada a ninguem, "posso não pertencer aqui, mas isto é só um ponto de passagem, calma" - pensei eu. E funcionou. Mas outras coisas me assombraram nas semanas antes do exame, e nesse dia, nessas 3 horas. Estas pessoas tiveram três anos disto, aulas, testes, professores a ajudar e a corrigir e eu nunca tive aulas, nunca me ensinaram nada, que raio faço eu aqui? Aprendi sozinha, faço as coisas de instinto, de alma, mas quem me diz que o que sei está certo? Nada. Há medida que desenhava e os exercícios iam passando, olhava para os estiradores ao lado, e pra minha surpresa, o que via não só não era nada de especial, como nem sequer era bom. Pensei cá pra mim "what da fuck?"...

Como sou uma pessoa informada, liguei para a Direcção Regional de Educação do Algarve para tentar saber tudo sobre o exame, a senhora foi super prestável e simpática, mas mentiu-me. Basicamente disse-me que o exame era igual a outro que existe (Materiais e Técnicas de Expressão Plástica), mas só com outro nome, então, prestei-me a resolver todos os exames de anos anteriores dessa disciplina. Chego ao exame, de mochila apetrechada de aguarelas, pastéis, carvões, lápis de cor, ceras e tudo k se possa imaginar, como me foi indicado, mas não só nao usei metade como também o exame não tinha nada a ver com o que a senhora me tinha dito, e nesse momento pensei pra mim: lixei-me. Fiz aquela merda de mãos a tremer, sufocada na quase impossibilidade de traçar uma linha direita, naquela corrida contra o tempo de desenhar tanto em tão pouco tempo. Podia jurar que ia chumbar, andei a informar-me sobre os recursos ao exame, pensei no que ia fazer com a minha vida e hoje tive a maior surpresa de sempre. Um 15. E náo só, era a segunda melhor nota da pauta, no meio daquela sopa de notas baixíssimas.

Verifiquei várias vezes e mal conseguia ler o meu nome. Assustei as funcionárias quando comecei a chorar aos saltos no meio da sala de convivio da minha antiga escola. Disseram-me: "calma menina, pró ano tentas de novo", devem ter pensado que era louca quando repeti umas 10 vezes "não acredito que passei, tive 15, estou tão feliz!"

Finalmente senti que valho alguma coisa, porque se fiz aquilo mal e porcamente, imagino se tivesse tido mais meia hora de exame. É estúpido precisar de aprovação alheia pra saber se o que faço é bom ou não, mas nestas cenas das artes, sou muito pouco confiante.

Em outubro devo ir para a covilhã, que graças às fantásticas médias baixíssimas dos anos anteriores, me vão permitir quase de certeza, deslizar graciosamente para os meandros daquele bloco de moda. Estava tranquila se tivesse 9.5, mas com este 15 e a bela media do secundário, os 12.5 do ultimo classificado não me assustam =)

Já tenho parte dos 1000 euros de propinas e espero tê-los até outubro, ando a trabalhar para isso, mas vou ter que me sustentar sozinha, sem ajuda de ninguem e ainda tou pra ver se consigo arranjar emprego compatível com as aulas...a ver vamos.
Acumulei coisinhas ao longo deste ano, pois prometi a mim mesma que não iria desistir, que ia concorrer mal acabasse o curso. Tenho caixotes com talheres, toalhas, até facas do pão e canecas, comprei tudo com amor e esforço e tudo ao meu gosto. É giro ver os meus gostos projectados em coisas da casa, pois nunca pude mexer em nada aki em casa. Vou sair daki e sinto-me melhor do que nunca, sinto-me livre finalmente, já não devo nada aos meus pais, fiz-lhes a vontade.
This is a new day, this is my conquest

p.s. desculpem o tamanho disto, mas também ninguem deve ler, por isso...lol... k se lixe
pL.

26/07/07

Fool me once, shame on you. Fool me twice, shame on me

Parece que cada vez há mais lobos em pele de cordeiro, filhos da mãe com licenciaturas em usar e jogar fora, às vezes até pós-graduações (geralmente na área da verdade camuflada). Flores e sorrisos? Podes mete-las num sitio que eu cá sei. Eu cá não sou descartável, põe-te a milhas.

25/07/07

Time waits for no one but me

Softly spinning around the clock
making my life a living hell
making sure that time goes around
ringing inside my head like a bell

How i wish i could turn all this around
Clean up all this fucking mess in my heart
But the clock keeps tickin' in the same old ground
And i just can't catch up
And it just tears me apart

Smashed my watch with a hammer
Screwed my head with harsh words
Gotta run faster
Gotta fly like the birds

Got all the time in the world
But i keep wasting the one that passes by
Making a mess out of myself
Oh and i just don't know why

And the clock keeps tickin'
Just like an announcement for disappointment
For is sure that i'll screw it up again
'Cause i'm just stuck in the moment

Smashed my watch with a hammer
Screwed my head with harsh words
Gotta run faster
Gotta fly like the birds


Can't help thinkin' time waits for no one but me
Am i really worth it?
That's what we'll see


L.

Quando não há nada para fazer, faz-se qualquer coisa, há quem leia a maria, hoje deu-me pra isto. Ignorem sfv

19/07/07

E porquê?

Porque lidar comigo é difícil e poucas pessoas o sabem fazer, obrigado às que não sabem mas tentam.
Porque sei exactamente o que quero e não faço cedências, mesmo quando me apetece abrir uma excepção, sei que se o fizer vou-me magoar, tem-se verificado nas últimas 5 vezes.
Porque em 70% das vezes, os conselhos dos outros só me metem em sarilhos, tem-se verificado nas últimas 10 vezes.
Porque sou directa e gosto que sejam assim comigo, levo a mal se não forem.
Porque percebo quando me mentem, mesmo que finja que não, se o fizer é porque acho que não vale a pena chatear-me.
Porque falo pelos cotovelos e adoro conversar, quando for velhinha e frágil,uma boa conversa é a melhor coisa que me vai restar.
Porque não tenho vergonha de quem sou, mas também nao me importava de ser a Claudia Schiffer.
Porque gosto que me critiquem, há sempre espaço para a mudança, especialmente se for para melhor.
Porque ainda ligo demasiado ao que os outros pensam de mim, daí às vezes ser estranha e dizer coisas estranhas.
Sou nervosa e sensível, há quem diga que tudo me afecta como se não tivesse uma camada de pele.
Porque me preocupo demasiado com pormenores quando ha problemas maiores no ar.
Porque quero fazer tudo, o que faço bem e o que faço mal.
Porque não me consigo desligar desta necessidade de agradar a todos, às vezes as minhas intenções são mal interpretadas, não espero nada em troca.
Porque quando às vezes é bem melhor estar calado, eu tenho sempre que dizer mais qualquer coisa, geralmente é essa coisa que derrama o copo.
Porque gosto de rir, faz-me sentir viva, apesar de só dizer piadas secas.
Porque gosto de abraços, transmitem carinho, é bom saber que não estou sozinha.
Porque há coisas que não se devem desenterrar, se estão lá, é porque já tiveram o seu tempo e hora.
Porque a dor é algo indissociável da vida, devia enfrentar mas evito e talvez esteja a perder coisas fantásticas.
Tenho muita garra para o que gosto, nunca desisto do que quero, mesmo que passem anos, volto sempre a tentar de novo, a vida tem muitos rounds, recuso-me a ficar k.o. depois de uma derrota.
Porque como um dia me disseram, sou inculta porque não percebo nada de política, futebol e geografia. Que se lixe, não sou mais feliz por saber o que anda a fazer o nosso ministro dos negócios estrangeiros, quais as novas contratações do belenenses, nem quantos kilómetros dista Barcelona de Faro.
Porque me arrependo de muito poucas coisas na vida, e vocês?

14/07/07

Caixinha dos tesouros

Hoje apetece-me gritar, espernear, amuar...tudo por uma bolsa de canetas e lápis. Pode parecer tremendamente fútil e materialista ficar tão abalada por causa de objectos, simples coisas que não são nada mais do que bens materiais, mas eu penso de forma diferente. Ficar sem algo que sempre nos acompanhou é muito mais que desagradável, é triste. Um objecto é muito mais que o valor económico a ele associado, tem alma própria, e com ele, aquele rol de memórias dos momentos passados. Há quem diga "depois compras outro igual", mas no fundo todos nós sabemos que não é o mesmo. Já tentei fazer isso antes, voltar a comprar akela coisa especial, na esperança de a ter de volta para mim e de me apaixonar de novo por ela, mas admitamos, não é o mesmo.
A minha bolsa era enorme, em plástico transparente às bolinhas cor-de-rosa de todos os tamanhos. Havia sido descaradamente "cravada" a uma menina de promoções de bolachas no supermercado, e dentro dela estava tudo o que precisava para me aguentar nos piores momentos, os meus materiais de desenho. Desde muito miuda coleccionei canetas, lápis, borrachas, separadores de livros...lembro-me de estar na primeira classe e andar com um estojo recheado, que mais parecia um tumor que a pobre mochila havia ganho na bolsa da frente. Mal sabia escrever, mas ja sabia desenhar e já sabia o que queria ser. Hoje em dia o vício perdura e nunca jogo nada fora, nem os pobres lápis afiados até à exaustão, mais pequenos que uma beata de cigarro. Não os jogo fora e guardo-os porque me acompanharam em momentos excelentes, carregam suor e lágrimas e recordações de vistas fantásticas. Tenho e sempre tive muita dificuldade em separar-me das minhas coisas, talvez por isso quando viajo, levo a casa às costas, desde fronhas de almofadas, com o cheio de casa a meia dúzia de velinhas de cheiro. Quem me conhece sabe que adoro desenhar, é a única coisa que sei fazer na vida, e, mal ou bem, é a única coisa realmente minha que estará cá sempre para me lembrar de quem sou. Recordo-me da minha bolsa cheia de pequenas coisas cheias de significado, pequenas coisas que me tinham oferecido, pequenas coisas que havia comprado para mim e até algumas extravagâncias para as quais juntei durante semanas para as comprar...Cabia um mundo lá dentro, não só feito de objectos, mas feito de todo o carinho que tinha por eles, e esse carinho, mais do que o dinheiro que as coisas custaram, tem um valor inestimável. Mais valia ter sido a carteira cheia de dinheiro a ir à vida, acho que me custava menos...É óbvio que posso ir a papelaria e gastar tudo o que tenho (que neste momento é nada...lol) a tentar repor pelo menos uma pequena parte dessas coisas, lápis sem fim, carvões, lapiseiras e canetas de todos os tamanhos cores e feitios...o material de desenho é substituível, caro, mas substituível...agora as coisas que já não se fazem, as pequenas prendinhas, os miminhos...essas são insubstituíveis. Recordo-me de ver as minhas amigas sempre a mexer nos meus estojos e recordo-me de as irritar visceralmente quando escavava túneis sem fim por eles adentro, fazendo uma barulheira em plena aula, só para encontrar "aquela" caneta. Levei muita cotovelada e ouvi muitos "ó mulher usa uma qualquer!".
Parece que nesse e noutros aspectos nunca cresci muito e sou ainda um bocado menina, apegadíssima à minha colecção de borrachas, na qual figuravam com orgulho os meus moranguinhos e as borrachinhas da mafalda...Mais recentemente a mãe de um amigo ofereceu-me um estojo que adorava, que passei a levar para todo o lado, um estojo dentro do estojo, sim, carrego com muita tralha na mala...lol. Lembro-me claramente do dia em que o recebi, quando ensopada até aos ossos sob aquela chuva do norte, estilo dilúvio, atravessei as vastas ruas de braga sem guarda-chuva, pensando que me ia afogar naquela água que fustigava como um estalo na cara.
Esse estojo laranja tornou-se o orgulhoso portador de toda a minha "quinquilharia" das explicações de geometria descritiva, desde os compassos às infindáveis lapiseiras e borrachas, o certo é que ninguem reclamava, não fosse haver sempre alguém que precisava de alguma coisa. Como diz um amigo, "não és infantil, és amorosa", lamento desiludir-te, mas sou mesmo infantil, e ingénua, especialmente por pensar que alguém liga a isto. Amorosa ou não, não penses que me esqueço da tua cara de horror estilo hitchcock quando me apanhaste a limpar borrachas e canetas com limpa vidros, alcoól e cotonetes...lol. Tantas vezes tiveste que me aturar a mostrar-te aquela caneta horrorosa em madeira pintada, com a cabeça do chinês que abanava. Era feia, velha, gozavam com ela, mas caramba que escrevia bem!Tantas foram as vezes que lhe mudei a carga... e que delicia era fazer frequências com ela e irritar a gaja ao lado a baloiçar a cabeça do "alôz xau xau" sob aquele ruído dóing dóing que desconcentrava qualquer um...desculpem, relaxava-me!
Só me resta começar de novo, continuar com esta parvoíce infantil que é só minha e tentar arranjar mais moranguinhos perfumados para me deliciar. Obrigada andré pela foto da Marlene Dietrich e do lápis gigante de casca de árvore. Quem melhor que tú me compreende?
Sei perfeitamente que há problemas maiores no mundo, e até eu os tenho de sobra infelizmente, tudo isto parece fútil e superfluo, mas porra...tou triste...
p.s. segunda feira exame nacional de Desenho-A e tou desfalcada, quem faz uma vaquinha e me oferece uns lápis?

02/07/07

52ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza

Mais um ano, mais uma edição da exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, que na sua 52ª edição, continua a levar à belíssima cidade italiana, o que melhor se faz na arte contemporânea à escala mundial. Patente até 21 de Novembro de 2007, esta exposição tem como título "Think with the senses - feel with the mind: art in the present tense" e promete brindar o público com obras irreverentes e provocadoras de alguns dos melhores artistas da actualidade.
A exposição de veneza realiza-se desde 1895 e é a bienal de arte mais popular do mundo, tendo também sido a primeira a surgir neste domínio. Pela primeira vez desde que se realiza, este evento tem um curador americano, o crítico de arte Robert Storr, que previamente desempenhou funções como curador chefe no prestigiado MoMA (Museum of Modern Art) em Nova Iorque. Este evento conta com centenas de artistas de todo o mundo, tendo atingido nesta edição o número record de 76 participações nacionais e de 34 eventos colaterais que têm lugar no giardini, no arsenale e em muitas outras zonas da cidade de Veneza.
Ângela Ferreira é a artista portuguesa que representa
o nosso país neste evento, estando a representação oficial, organização e produção da mesma, a cabo do Instituto das Artes e sendo esta ainda, comissariada por Jürgen Bock.
Ângela Ferreira expõe regularmente desde 1990. O seu trabalho é motivado por questões de natureza política, a partir das quais desenvolve uma análise sobre as relações e influências da história, em particular da História da Arte, na arte contemporânea, utilizando o potencial comunicativo da arte neste processo de negociação. As apelativas esculturas modernistas de Ângela Ferreira são frequentemente combinadas com textos, fotografias ou vídeos, propondo um conjunto de refleções sobre o que se tem considerado como "dados adquiridos" na História da Arte. Com o projecto Maison Tropicale, a artista traça uma reflecção sobre a história colonial e as suas ressonâncias pós e neocoloniais. A Exposição portuguesa realiza-se pela primeira vez no Fondaco Marcello, um espaço de excelente visibilidade localizado na margem do Grande Canal, entre as pontes da Accademia e de Rialto.
Eis algumas das peças.



Angelo Filomeno-Italia (A philosopher shits under a tree)



Gerhard Richter-Alemanha (Sem Título)


Hyungkoo Lee-Koreia (Peça da colecção "The objectual series")

26/06/07

Muse - Stockholm syndrom

Tinha que partilhar este...vídeo e música excelentes!Enjoy

23/06/07

Qual o futuro do amor?

É verdade que estamos no século XXI, tudo progride, tudo avança... ou pelo menos quase tudo. Dou por mim a pensar que há certas coisas que deviam ficar estáticas no tempo, certos princípios que deviam permanecer inalteráveis para sempre. É certo que ao longo dos tempos sempre houve dor, mentira, mágoa, tristeza, mas não consigo deixar de sentir que cada vez mais as pessoas se espezinham a troco de nada, se magoam a troco de nada, enquanto fazem tudo isto com um sorriso nos lábios e um olhar de relance por cima do ombro. Às vezes penso que para ser normal e para que não me vejam como uma "weirdo", tenho que atropelar tudo e todos, agir com indiferença, caminhar de queixo erguido, ignorar os sentimentos dos outros. Desculpem mas recuso-me a viver num mundo em que os homens tratam as mulheres como merda e elas não só parecem gostar, como também isso parece não as afectar minimamente. E qual é a explicação? Estão habituadas. Cada vez que pensarem que a mulher se emancipou consideravelmente ao longo dos tempos, pensem de novo, pois a única coisa que conquistámos ao longo do tempo foi o direito de voto e o facto de podermos usar saias pelas virilhas na rua e não sermos chamadas de putas. Não estou a pensar montar aqui um discurso pseudo-feminista, nem a defender as mulheres de nada, porque se há uma coisa que a vida me ensinou, é que não há vitimas, só sobreviventes. O que me parece é que os homens não sabem o que querem e as mulheres andam ao sabor da maré, cedendo atónitamente a tudo o que se lhes afigura. Perguntem a qualquer mulher, "o que queres de uma relação?", a mulher que está sozinha, enverga os seus princípios até puder, até chegar alguem que não pensa da mesma maneira e os princípios vão todos à fava. E porquê? Desculpem minhas amigas mas as mulheres estão desesperadas, custa a admitir, custa a ver, custa a encarar, mas é tão claro e tão óbvio. Como um grande amigo sempre disse, "basta meia hora de música e já está". Meia hora de música, meia hora de conversa que vocês querem ouvir, de frases que há tanto esperam ouvir, da atenção que há tanto tempo querem só para vocês, e os princípios vão todos ao ar, esquecem-se do que queriam, e a partir deste momento, em que as defesas baixam,qualquer um serve. Vivemos numa sociedade em que infelizmente as pessoas são conformistas demais, em que as pessoas vêm o "estar sozinho" como um vírus ou uma qualquer doença a evitar. Está bem que vivemos numa sociedade de consumo, mas o que me parece é que ainda ninguem se lembrou de começar a consumir amor, e o triste resultado são os namoros "fast-food", que pouco ou nada têm de amor. Começam tão rápido como o pedido na caixa e acabam tão rapido como quando se aborrecem ou conhecem alguém melhor. E parar para pensar?A mim soa-me bem, parar para pensar se devemos começar uma coisa cujo futuro é demasiado incerto ou na qual não vêm futuro nenhum. Para quê andar por andar? Para quê comer um hoje a amanhã outro? Será que já ninguem valoriza o "click", a ligação sentimental, a empatia entre duas pessoas? Gostava de acreditar que as coisas não se reumem a umas mamas grandes e a um sorriso engraçado, mas infelizmente é isso que vejo por toda a parte. Começando pelas curtes e os amigos coloridos, essa tal espécie de test drive antes de comprar o carro, mas que curiosamente nunca acaba com uma compra. Miúdas, chega de se deixarem enganar pelo "grande querido" (já dizia a minha Dida) que diz que vos adora, vos salta pra cueca e desaparece sem deixar rasto. Sejam exigentes, sejam pacientes porque a pressa é a inimiga da perfeição e sinceramente...mais vale estar só do que mal acompanhado. A auto - estima é a melhor coisa que a mulher pode resgatar de sí própria, ao amar-se a sí própria e ao respeitar-se a sí própria primeiro que tudo, estão a dar o primeiro passo para algo muito positivo. Nesta sociedade de relações desligadas, de promessas distantes e infidelidades, não há lugar para o amor enquanto as pessoas não estiverem dispostas a procurá-lo. Procurá-lo em palavras e desejos sinceros, por mais ridículos que pareçam, não tendo medo da solidão que por vezes passa por todos nós, porque ela assim o é, passageira, se o desejarmos. Já dizia o morrissey, some girls are bigger than others, ah pois são, mas onde estão elas?

Sinto falta do amor romântico, do amor puro, sem segundas intenções, sem mentiras e trapaceirices, amor a dois e não a três, sem rodeios, sem traições, sem dor e sem mágoa. Sinto falta do que nunca tive, e ao mesmo tempo não vejo a hora de o ter, e assim deviamos ter todos nós. Seja na pureza e sinceridade de um olhar, seja num "gosto mesmo de ti rapariga!", seja num beijo envergonhado, sinto falta de tudo isso, e não vejo a hora de acordar deste sonho estúpido de 23 anos em que as mulheres fazem tudo para que gostem delas, sem uma réstia de amor próprio.

Quando é que o mundo ficou assim?

Espero que isto toque alguém, porque já vai estando na hora, e pra me despedir, o sam vai tocar para vocês, play it sam...

12/06/07

A Pantera cor-de-rosa e o gato pelado

Riscos e Rabiscos
Por vezes é difícil para algumas pessoas, a compreensão da mensagem subjacente a certos estilos de arte, não obstante da mesma estar de acordo ou não com um estilo pessoal preferencial. Para muitas pessoas, grafitti ou stencil não é arte, pois para mim tambem não o é, a partir do momento em que a imagem criada não atinge certos padrões de qualidade que me façam sentir que de facto, tal imagem envolve alguma técnica por ou algum significado. Mas não só. Certamente não é necessário dar muito à manivela aos nossos modestos cérebros para compreendermos que existem diferenças significativas entre um tag (assinatura personalizada de um determinado artista) feito numa parede de uma estação de correios ou de um jardim de infância, e um stencil alusivo à necessidade de mais apoio social e económico para com as camadas mais desfavorecidas da nossa sociedade.
A questão é que grande parte das imagens que são vistas nas paredes, muros e ruelas das nossas cidades, muitas das vezes não passam de meros "gatafunhos e rabiscos", no verdadeiro sentido da palavra. Infelizmente, existem ainda muitos pseudo-artistas que pensam que uma mochila de latas de tinta e um punhado de emoções revoltadas contra os pais ou a escola, fazem dele um artista digno de expor nas "melhores paredes" das nossas cidades.
Muitas pessoas associam os gangs aos grafittis e aos tags, o tal pessoal que costumamos ter medo, associamos a vândalos e a renegados sociais. Os tags que estes fazem, são muitas das vezes usados para marcar território e comunicar, mas há que ver que isto não pode ser considerado arte e não tem qualquer tipo de mensagem política ou social útil para quem por eles passa diariamente. Um TAG é diferente de um STENCIL com motivos políticos e intervencionistas, vejam as imagens abaixo, é caso para dizer que não se pode comparar um gato pelado com a pantera cor-de-rosa.

Imagem 1 (esquerda): TAG, artista desconhecido, Mensagem:??,Objectivo:??
Imagem 2 (direita): STENCIL, artista: Banksy
Mensagem: apelo ao fim da violência em manifestações
Objectivo: Sensibilizar as pessoas que passam por esta imagem
Street art: faz-se na rua, vê-se na rua
Compreendo que para muitas pessoas seja desagradável e difícil lidar com os grafittis e stencils, não só porque estéticamente muitas vezes não têm qualidade, como também porque são feitos em locais como moradias privadas ou edifícios públicos. São "desagradáveis à vista" porque na maioria das vezes a mensagem não apela a mais ninguém sem ser a quem os fez. Portanto, para que servem os tags? E a quem servem? Pois, servem a quem os faz e para comunicar com quem a eles está ligado.
Falando ainda de grafittis e stencils, estes dois estilos são inseridos na categoria de STREET ART, ou seja, arte que é realizada e exposta na rua, que por conseguinte, é pública por algum motivo: passar a mensagem às massas, e que local melhor do que a rua para passar uma mensagem que chegue ao maior número de pessoas possível? Qual é o objectivo de fazer um stencil com motivos políticos anti-guerra, pintado nas paredes do nosso "quintal grande"?
Perante o crescente número de guerras e conflitos, especialmente no médio-oriente, é natural que muitos artistas sintam a necessidade de se expressar de uma forma mais pública, pois um stencil é mais permanente do que uma manifestação na rua, e cada um de nós deve tentar apelar aos outros e exprimir os nossos ideais como melhor sabe.
Muitos artistas partilham idealogias semelhantes, seja o anti-consumismo, o comunismo, a paz, igualdade de oportunidades ou os direitos humanos, porém, alguns artistas são fracos em idealogias e primam pelo vandalismo e danificação de propriedade pública por despeito ou por divertimento. Há que saber diferenciá-los e saber reconhecer o valor de cada um deles, quer estes o tenham ou não.
Penso que uma questão muito importante, é a escassez de paredes autorizadas em que os artistas possam apresentar o seu trabalho, e esta escassez é real. O governo afirma que existem paredes autorizadas, porém não existem em número suficiente, talvez pela dificuldade que há em assumir e aceitar o grafitti como uma forma de arte, ou talvez por se sentir ameaçado pelas mensagens subliminares ou mesmo directas que nele possam ser expressadas. Chamo então a atenção para as mensagens pacifistas anti-guerra, e para as mensagens anti-consumismo e anti-capitalismo, e para o facto de que muitos dos stencils realizados por Banksy possam não ser do agrado do governo do reino unido, por contrariar os princípios pelos quais este se rege, como por exemplo, o descarado luxo e extravagância no modo de vida da familia real, enquanto uma grande fatia social da população inglesa vive no limiar da pobreza.
Alguns Factos

O grafitti não é algo de novo na sociedade, e existe desde o tempo de civilizações como a Grécia antiga ou o império Romano. Esta forma de expressão artística sofreu mudanças ao longo do tempo até evoluir para o que é considerado o "grafitti moderno". Mas algo manteve-se sempre imutável: o facto de esta forma de arte poder ser usada para comunicar mensagens políticas e sociais. É tambem importante alertar para o facto que o grafitti BEM FEITO é considerado uma forma de arte moderna nos dias de hoje, sendo possível vê-los em galerias por todo o mundo.
Muitos críticos de arte começaram a atribuir valor artístico a ALGUNS grafittis e a reconhecê-los como uma forma de arte pública, livre de custos e acessível a qualquer pessoa. De acordo com muitos investigadores, este tipo de arte pública, é de facto uma ferramenta eficaz de emancipação social e como meio de antigir determinados objectivos políticos. Os murais em Belfast e em Los Angeles oferecem outro exemplo de reconhecimento oficial do grafitti "bem feito" enquanto forma de arte. Em época de maior conflito, estes murais ofereceram um meio de comunicação e de expressão para os membros de comunidades socialmente ou racialmente divididas, tendo também provado o seu valor como ferramenta eficaz no estabelecimento de um diálogo ponderado entre lados. O Muro de Berlim também foi extensamente coberto de grafittis que reflectiam a pressão social e o desagrado em relação ao governo em vigor.

Mirko Reisser (2005). Obra exposta em galeria alemã.

08/06/07

Poder Subversivo

«A lot of people never use their initiative because no-one told them to.»

O que é Banksy? Ou melhor, quem é Banksy? Resposta simples, redutora e manifestamente não-original: trata-se de um artista urbano de nacionalidade britânica que se exprime através de stencils e grafittis e raramente se deixa fotografar, embora nem por isso deixe de ser mundialmente famoso, no bom sentido do termo. Ou seja, "famoso", essencialmente pelo seu trabalho, pela sua arte-intervenção, exibida de forma totalmente gratuita nas paredes sujas, ruelas estreitas e becos sem saída das grandes urbes industriais britânicas, ou em lugares tão inóspitos quanto os territórios "ocupados" palestinianos; e não pelas suas origens genealógicas, mero status social ou algo do mesmo género feudal.
Subversão e provocação são duas palavras-chave em Banksy, dois tipos de acção que não agradam nada à habitual horda aristocrática, pedante e conservadora de puristas, moralistas, elitistas e vários outros senhores "istas" a quem Banksy responde com uma das suas melhores armas, o sarcasmo: «o grafitti não é a mais baixa forma de arte, apesar de termos de andar escondidos à noite e mentir à nossa mãe. É na verdade a mais honesta forma de arte ao nosso dispor.»


Uma deliciosa ironia que remete para um dos seus muitos inimigos de estimação: os museus de arte, santuários do "bom gosto" institucionalizado que Banksy se divertiu a profanar há uns tempos atrás. Saltou então para as páginas dos jornais ao colocar trabalhos da sua autoria nas paredes de três dos mais famosos museus de arte contemporânea do mundo, de Londres a Nova Iorque, lado a lado com os grandes mestres do bom gosto. O mais hilariante é que os guardiões dos referidos santuários demoraram várias semanas a reparar nos O.E.N.I. (Objectos Estáticos Não-Identificados) que incluíam helicópteros a irromper por paisagens impressionistas ao estilo de Monet ou a Mona Lisa de Da Vinci a segurar um lança-rockets entre outras preciosidades que foram vistas e apreciadas pelos visitantes dos museus sem, aparentemente, qualquer tipo de estranheza.


Não raras vezes, Banksy foi detido por delito de...expressividade. Nada que o demova, porém, da sua missão possível: subverter, provocar e, nos tempos livres, gozar literalmente com as ditas autoridades. Ao ponto de, em delírio absoluto, desenhar dois polícias do sexo masculino, vestidos com a tradicional farda britânica, a beijarem-se em plena via pública; ou um soldado da coroa britânica, também fardado e de espingarda, a urinar no passeio; ou um outro soldado a escrever na parede a velha máxima "God save the Quee..." (lançando a dúvida sobre se se trata de "Queen" ou "Queer"). Banksy refere que «as pessoas que gerem as nossas cidades não entendem os grafittis porque julgam que nada tem o direito a existir se não obtiver lucro. Mas se apenas valorizas o dinheiro, a tua opinião não tem qualquer valor.»


Banksy refere que os maiores crimes no mundo não são cometidos por pessoas que cumprem as regras, mas por pessoas que cumprem as regras. «São as pessoas que aceitam as ordens, que lançam bombas e massacram populações. A desobediência passa por gozar com as ordens, ao colocar avisos nas paredes em formato stencil, designando-as como "área autorizada de grafittis" e, simultaneamente, proibindo a afixação de anúncios publicitários.»
«Gosto de pensar que tenho tomates para me insurgir anonimamente numa democracia ocidental e defender causas em que mais ninguém acredita, como a paz, a justiça e a liberdade», sustenta. Não por acaso muitos dos seus desenhos são mensagens pacifistas, como uma menina de saias a abraçar um rocket; ou aquele helicóptero de guerra ornamentado com um pequeno laçarote cor-de-rosa...simplesmente delicioso.Miranda July não faria melhor.


Banksy vai ao Museu

in umbigo

03/06/07

A Perfect Circle

3 Libras

Para a minha coleguinha Susana, Maynard James Keenan com cabelo =)
Adeus IPJ...

28/05/07

23/05/07

Monstra em Lisboa

Monstra 2007 - Festival de Cinema de Animação de Lisboa

Tendo a Rússia como país-tema e oito filmes em competição, o festival Monstra voltou esta segunda-feira a Lisboa com algum do melhor cinema de animação mundial. A abrir a noite no Teatro Maria Matos e apresentada por Eduard Nazarov, foi projectada uma retrospectiva do mestre Fyodor Khytruk, com algumas curtas como The Story of the Crime (1962) e The Man in the Frame (1966). Em competição vão estar as longas metragens "Fimfarum 2" (República Checa), "Hair High" (EUA), "The Christies" (Reino-Unido), "Paprika" (Japão), "One night in one city" (República Checa), "The district" (Hungria), "Among the thorns" (Suécia) e "Snow white - the sequel" (França, Bélgica, Grã-Bretanha).
Em entrevista à angência Lusa, o director do festival, Fernando Galrito justifica a inexistência de filmes portugueses em competição este ano com a escassa produção de longas-metragens nacionais, realçando ainda que o facto da Rússia ser "um dos países que têm a produção mais rica em termos de cinema de animação", constituiu um dos motivos principais para a sua escolha como país-tema.
A propósito da exibição de uma retrospectiva de cinema russo em Lisboa, vão estar vários realizadores russos para apresentar os seus filmes e dirigir algumas aulas de cinema de animação. Entre os presentes encontram-se Alexander Petrov, Valentin Telegin e Michael Aldashin. Para esta sexta edição, a organização espera duplicar o número de espectadores do festival, passando dos 2.500 espectadores do ano passado para os cinco mil.
A projecção dos filmes escolhidos e dos workshops a realizar nos 7 dias do festival, vão ter lugar no Teatro Maria Matos e nos cinemas King, para mais informações, podes consultar o programa online em www.teatromariamatos.egeac.pt.

19/05/07

Mini é mais


Frigorífico Mini Cooper S

Boas notícias para os amantes dos carros Mini Cooper! Como forma de celebrar o lançamento do novo modelo Mini Cooper S 2007, a empresa italiana Smeg lançou uma edição limitada de um frigorífico muito especial de design inspirado no elegante e desportivo carro. Este frigorífico de nome de código FAB28MCS, destila a raça e o estilo do Mini Cooper S, inspirando-se no capôt do modelo clássico dos anos 50. Para a elaboração desta peça, nenhum pormenor foi descurado e, como podemos ver, os acabamentos são fantásticos. Este modelo assemelha-se ao Mini vencedor do rally Monte Carlo de 1964 e foi reproduzido na mesma cor azul laser e com o mesmo traço desportivo em branco. O puxador é idêntico ao do carro e nem o logótipo [Mini] foi esquecido. Este frigorífico é um "must have" para todos os coleccionadores e apaixonados pelo mundo Mini, mas atenção, esta é uma edição limitada, pelo que apenas foram fabricadas 250 unidades.
Quem é que não gosta deste carro fantástico? Impossível não gostar, pequeno mas robusto, é caso para dizer que mini é mais!

16/05/07

Kickoff - Concurso Novos Designers Continente

Mais um concurso, mais uma oportunidade! Para os jovens artistas portugueses, oportunidades não faltam de mostrar o seu talento, desta vez no concurso Kickoff para novos designers promovido pelo grupo Modelo - Continente Hipermercados S.A.. Este concurso destina-se a jovens designers com ou sem licenciaturas na area do design (desde que licenciados há menos de dois anos).
Apesar deste ser mais um que me vai escapar por motivos UNIVERSITÁRIOS óbvios, não posso deixar de divulgar esta iniciativa pela excelente oportunidade que acabou por se revelar. Ora bem, não só o primeiro prémio é constituído por um estágio remunerado na equipa de desenvolvimento de marcas da direcção comercial do continente de bazar ligeiro, como também por um workshop de formação intensiva de férias de verão no prestigiado Central Saint Martins College of Art and Design em Londres, a meca do ensino de design. Para quem não sabe, esta universidade tem formado ao longo dos anos alguns dos grandes nomes da moda.
O prazo para envio de projectos abriu a 23/04/2007 e estende-se até 29/06/2007, tendo como tema o "Rio". Os projectos deverão inserir-se nas categorias de têxtil-lar, cerâmica, papelaria e desporto, para as quais são dadas as indicações das peças a desenvolver e da esquemática de cores a utilizar, assim como os respectivos códigos.
Os resultados finais serão afixados em cartazes nos hipermercados e no jornal o Público dia 15/07/2007 e para além do primeiro prémio, serão também atribuídas menções honrosas!
Participem, não têm nada a perder!
Para mais informações podem consultar o regulamento completo em http://www.and.org.pt/_AND/images/default/kickoff_regulamento.pdf

08/05/07

Jovens Criadores 2007

Já está aí a edição 2007 do concurso Jovens Criadores!! Como é hábito, as inscrições decorrem ao longo do mês de Maio, e este ano o prazo limite de envio de projectos é dia 28 de Maio. Esta iniciativa é uma organização conjunta da Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto (SEJD), do Instituto Português da Juventude (IPJ) e do Clube Português de Artes e Ideias (CPAI) e visa estimular e incentivar jovens artistas de diversas áreas a exporem as suas ideias.
Do concurso resultará uma selecção de projectos que será apresentada numa Mostra Nacional e na qual serão indicados os representantes portugueses para um evento de carácter internacional.
As inscrições abriram dia 20/04/07,o que proporcionou aos jovens artistas apenas pouco mais de um mês para desenvolverem os seus projectos, pormenor que penso que constitui uma das grandes falhas nesta iniciativa. Ao realizar um concurso direccionado a jovens, mesmo que a idade limite de candidatura seja 30 anos, há que considerar que muitos desses jovens se encontram presentemente a estudar, e, provavelmente muitos deles se encontram no ensino superior a frequentar cursos no âmbito das artes.
Nunca esquecendo que para concorrer a iniciativas deste género é necessário uma dose elevada de esforço e empenho pessoal, e talvez abdicar de preciosas horas de descanso e lazer, o certo é que milagres ocorrem com pouca frequência, e para os jovens estudantes que se encontram a desenvolver projectos escolares e desejam particiar nesta iniciativa, esta tarefa assume proporções algo bíblicas.
Desenvolver um projecto no âmbito das artes é algo que requer inspiração e muita ponderação, é necessário experimentar e re-experimentar para chegar aquele resultado que agrada e vai de econtro com o que se tinha inicialmente planeado. Mas não basta planear, é também necessário executar. Para quem crê que um projecto apresentado sob forma de desenho ou projecção digital, tem a mesma qualidade que o projecto transposto para a prática, então está enganado. Desenhar não é o mesmo que construir e penso que os organizadores deste concurso deveriam ter em consideração este facto, e de futuro alargar este prazo de inscrição.
É a minha sugestão para esta inicativa, de resto, espero que concorram e dêem o vosso melhor, pois vale a pena.
Para mais inscrições e para consulta do regulamento, visita http://juventude.gov.pt/Portal/Programas/ProgJovensCriadores/

07/05/07

01/05/07

Mapa Kyoto

É certo que a cidade de braga não prima pelo bom tempo, mas mesmo debaixo de chuva e frio, não pude deixar aproveitar e ir a esta loja adorável. Raramente entro num sítio em que gosto de praticamente tudo o que vejo, e quando isso acontece, tenho que levar alguma coisa comigo...Desta vez não foi excepção! Neste pequeno espaço alternativo dedicado à moda, podemos encontrar peças de alguns estilistas portugueses e de algumas marcas internacionais pouco comerciais. Os preços não são os mais risonhos mas vale mesmo a pena ter algumas destas peças, tanto pela qualidade com que estão feitas, como pela sua originalidade. Desde roupa a calçado e acessórios, a Mapa Kyoto tem muito para oferecer...e que bom é andar descalça no chão feito de relva falsa!
Para quem mora lá ou pretende visitar Braga, aqui está a morada...Aconselho!

Rua das Oliveiras, 44 R/C (junto à Faculdade de Filosofia)
Aberto de 2.ª a 6.ª - das 14:00h às 20:00h
Sábado - das 11:00h às 14:00h e 15:00h às 20:00h
Telefone: 913 646 305 /
www.mapakyoto.blogspot.com


A minha escolha...

Saia Skunkfunk. De cetim preto, tem a cintura baixa com uma faixa larga e apenas um bolso no lado direito.No cós de baixo as pregas reunem-se num elástico muito suave que proporciona uma ligeira forma em balão. Muito linda...